“Meu nome é Nágila, ingressei no Serviço Social Autônomo (SSA) em novembro de 2022, por meio do processo seletivo, iniciando como assistente administrativo. Depois de um tempo, surgiu a oportunidade de participar de um novo processo seletivo e, em janeiro de 2024, passei a atuar como assistente de RH, função que exerço desde então.
Me formei na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, no campus de Contagem, em direito e exerci a advocacia por cerca de dois anos. Toda a minha história foi construída dentro de Contagem, desde o nascimento até a formação profissional. Sempre tive o desejo de permanecer na cidade, pois tenho muito carinho por ela.
Com o tempo, percebi que queria trabalhar em um ambiente público, onde o alcance do serviço é maior e onde podemos impactar a vida de mais pessoas. Acredito que, quando fazemos bem o nosso trabalho, mesmo em funções administrativas e burocráticas, conseguimos contribuir de forma significativa para o funcionamento dos serviços e para a vida das pessoas.
Venho de um núcleo familiar muito artístico. Meu pai é diretor de teatro e conheceu minha mãe nesse mesmo contexto. Cresci em um ambiente cercado por música, peças e apresentações, o que despertou desde cedo o meu interesse pelo universo artístico. Além da arte, também tive muito contato com o esporte. Fiz aulas de futebol com meu pai e participei de campeonatos, além de praticar outras atividades como peteca e xadrez. Com o início da faculdade, o tempo para essas atividades diminuiu, e foi nesse momento que descobri a dança.
Sempre participei de eventos artísticos na escola e de iniciativas da cidade. Em uma das caminhadas da saúde realizadas em Contagem, na Praça da Glória, participei de uma apresentação de dança organizada pela escola. Durante o evento, houve um concurso em que o vencedor ganharia um mês de aulas gratuitas em uma academia de dança no bairro Santa Cruz. Ganhei esse concurso, comecei a frequentar as aulas e me apaixonei pela dança. Depois desse primeiro mês, continuei na academia como bolsista.
Especialmente na dança de salão, existe um estigma antigo de que a mulher deve apenas ser conduzida. Com o tempo, esse pensamento vem sendo desconstruído. Hoje sabemos que os papéis de conduzir e ser conduzido podem ser ocupados por diferentes pessoas. Como condutora, tenho a oportunidade de criar coreografias e conduzir o ritmo da dança, já que ela não é algo previamente combinado, mas sim algo sentido e vivido no momento. Como conduzida, também existe a experiência de se permitir ser guiada e se entregar àquele momento artístico. Isso torna a dança uma experiência muito rica, cheia de possibilidades e aprendizados.
Dentro do SSA, além das minhas funções profissionais, também faço parte do grupo de humanização. Uma das iniciativas que estamos tentando implantar é a recitação do Rosário no espaço ecumênico do hospital. Como sou uma católica ativa na minha comunidade, fiquei muito feliz com essa proposta. Nosso objetivo é proporcionar um momento de pausa e respiro dentro de um ambiente tão intenso como o hospitalar. Muitas vezes a rotina é corrida, e parar por alguns minutos para rezar e refletir pode ser uma oportunidade valiosa de cuidado espiritual e emocional.
Para finalizar, deixo uma mensagem especialmente para as mulheres: acredito que o autoconhecimento é fundamental. As mulheres são plurais, realizam muitas tarefas e possuem diversas habilidades. Nem sempre precisamos ter uma aptidão extraordinária para algo desde o início, mas, quando existe o desejo de desenvolver determinada habilidade, devemos nos permitir tentar. O querer já é um passo muito importante para que possamos crescer, aprender e alcançar novos caminhos”.