Após mais de 700 dias de internação, o paciente Cássio, de 34 anos, recebeu alta do Hospital Municipal de Contagem e inicia agora um novo ciclo fora do ambiente hospitalar. Portador de Síndrome de Down e com diversas comorbidades, ele precisou permanecer internado por um longo período não apenas por questões clínicas, mas também por fatores sociais. Para marcar esse momento de despedida, profissionais de diferentes setores da unidade se reuniram e formaram um corredor de palmas, em um gesto de carinho e celebração pela nova etapa em sua vida.

Segundo a assistente social do HMC, Lorena Magalhães, Cássio não possui irmãos e seus pais não estão vivos. Sua parente mais próxima é uma tia que relatou à ausência de rede de apoio para os cuidados necessários. Diante dessa realidade, foi realizado um trabalho articulado em rede. Com o apoio da Secretaria Municipal de Assistência Social, foi possível viabilizar um local adequado para o acolhimento de Cássio após a alta hospitalar.
A referência técnica do Serviço Social do HMC, Cláudia de Morais, explica que casos como o de Cássio são classificados como internação social e exigem uma atuação cuidadosa da equipe. “Quando identificamos um paciente em contexto de maior vulnerabilidade social, buscamos articular a rede de proteção para garantir que ele tenha uma condição digna após a alta hospitalar, com suporte adequado para suas necessidades de cuidado, como ocorreu no caso do paciente Cássio, que foi encaminhado para uma instituição preparada para seu acolhimento”, destacou.
O início do atendimento ocorreu quando Cássio deu entrada na UPA JK acompanhado por familiares, com relato de febre, prostração e presença de múltiplas úlceras por pressão, além da ausência de acompanhamento de saúde domiciliar. Ele foi admitido na unidade em estado geral estável, mas apresentando desidratação, atrofia muscular importante e diversas lesões cutâneas, danos na pele que podem surgir por diversos motivos, como doenças, infecções, feridas, pressão prolongada, alergias ou traumas.
Cláudia Morais explicou também que durante o período de internação, o paciente recebeu acompanhamento médico e multiprofissional, incluindo avaliação da enfermagem para avaliar os cuidados com a pele. “Apesar de ter apresentado piora inicial das lesões com sinais de infecção, Cássio evoluiu com melhora significativa do quadro clínico. As úlceras por pressão foram completamente tratadas, e seu estado de saúde foi estabilizado”.
Mesmo após a recuperação clínica, a permanência no hospital se prolongou devido à ausência de condições sociais para o retorno ao domicílio. Com a articulação do Serviço Social e de toda a equipe assistencial, foi possível garantir o benefício social e encontrar uma instituição de acolhimento adequada, permitindo que Cássio finalmente recebesse alta hospitalar e pudesse iniciar uma nova etapa de sua vida com segurança e assistência.
Lorena Magalhães destacou a emoção em ver pacientes trilhando novos rumos. “É imensurável poder contribuir para a reinserção do paciente na sociedade, proporcionando condições para que ele retome sua autonomia, volte a conviver socialmente, passear, conhecer pessoas e viver sua vida de forma plena. Garantir direitos fundamentais, como o direito de ir e vir, é algo extremamente significativo. Momentos como esse reforçam em mim a certeza de que valeu a pena escolher o Serviço Social como profissão”.
Para a equipe do Hospital Municipal de Contagem, a alta de Cássio representa mais do que o encerramento de uma longa internação, simboliza o resultado de um trabalho integrado entre assistência médica, equipe multiprofissional e serviço social. A mobilização garantiu não apenas a recuperação da saúde do paciente, mas também condições dignas para que ele pudesse seguir a vida fora do ambiente hospitalar.
Agora acolhido em uma instituição adequada e com o benefício social assegurado, Cássio inicia uma nova etapa marcada por cuidado, proteção e novas possibilidades de convivência. O caso reforça a importância do olhar humanizado na saúde pública, em que o tratamento vai além do aspecto clínico e busca garantir qualidade de vida e dignidade aos pacientes.