“Meu nome é Maria Cristiana da Silva, tenho 47 anos e moro em Contagem há mais de 30 anos. Sou mãe de duas filhas, já casadas e também vovó, meu maior orgulho! Trabalho no Serviço Social Autônomo de Contagem (SSA) há três anos e hoje atuando como pedreira, azulejista e pintora.
Mas minha história com essas profissões começou bem antes. Sempre gostei de serviço pesado, nunca fui de ficar só no que dizem ser “coisa de mulher”. Desde nova, ajudava minha mãe em casa e fui aprendendo na prática. Consertava, reformava, trocava resistência de chuveiro, arrumava cano estourado… fui pegando gosto.

Com o tempo, fui me profissionalizando. Fiz o curso de operária da construção civil. A única mulher da turma que se formou e seguiu na área. Até dei entrevista na época, e meu professor guarda o jornal até hoje. Depois vieram outras profissões como a de bombeira hidráulica, azulejista e pintora.
Mesmo com experiência, não foi fácil. Passei por muito preconceito, primeiro pela idade, depois por ser mulher. Teve época que eu batia de porta em porta atrás de serviço e nada dava certo. Até que minha filha me falou de uma vaga na manutenção do SSA. Eu nem pensei duas vezes, fui atrás.
Quando cheguei aqui, minha chefia, da época, confiou em mim e me deu oportunidade. Aprendi até coisa nova, como a pintura. No começo, senti uns olhares de espanto, aquele jeito de quem não acredita muito. Mas fui mostrando meu trabalho e conquistando meu espaço.
Antes de entrar aqui, trabalhei em várias obras, inclusive em Nova Lima. Na construção é assim: acabou a obra, acabou o serviço. E foi nesse vai e vem que fui ganhando experiência. Inclusive, eu mesma construí minhas casas. Uma quando era casada e outra onde moro hoje. Já passei até por susto, como uma vez que uma viga caiu na minha cabeça, mas graças a Deus não aconteceu nada grave.
Até hoje, quando chego em algum setor novo, ainda tem gente que estranha. Ficam surpresos de ver que sou eu quem vai resolver o problema. Mas depois que veem o serviço pronto, mudam a visão.
Aqui dentro, gosto muito do ambiente. Meus colegas me respeitam demais. Mesmo sendo a maioria homens, nunca tive problema, pelo contrário, eles me ajudam, principalmente quando tem algo muito pesado. Às vezes até falam: “deixa isso aí, Maria, a gente pega pra você”. Existe muito respeito, até no jeito de falar comigo.
Revendo a minha história, queria deixar uma mensagem para outras mulheres que vão ler isso: lembrem-se sempre, no começo é difícil mesmo, o corpo sente, a gente acha que não vai dar conta. Mas depois se acostuma. Quando você gosta do que faz, tudo fica mais leve. Hoje, pra mim, é normal. Eu faço com amor.
E quando vejo o resultado do meu trabalho, às vezes até me surpreendo: “será que fui eu mesma que fiz isso?”. E repito para mim, foi sim, com muito orgulho”.