“Meu nome é Jaqueline de Almeida, atuo como técnica de enfermagem no ambulatório e estou aqui há quase quatro anos. Entrei na área da enfermagem ainda muito nova. Assim que terminei o ensino médio, fiz o curso de auxiliar, depois o técnico, me formei enfermeira, também tenho pós-graduação em Saúde da Família.
Eu entrei aqui por meio de um processo seletivo, na época em que o SSA chegou. Até então, eu não sabia exatamente se era essa área que eu queria seguir. Mas teve uma fala que me marcou muito no dia da entrevista. A minha gerente, da época, me disse precisava que eu tivesse empatia, calma e soubesse ouvir o paciente. Aquilo ficou comigo.
Porque escutar, todo mundo escuta. O difícil é parar e realmente ouvir o que o paciente precisa. Muitas vezes, ele chega com uma demanda que nem é do ambulatório, mas a gente acolhe, orienta e tenta ajudar. A gente até brinca que aqui é o “posto Ipiranga”, porque sempre buscamos dar algum tipo de informação.
Um dos desafios do nosso dia a dia é o atendimento aos pacientes com autismo. O ambulatório fica em um corredor, com movimento constante, e isso pode deixar a criança mais agitada. Então, a gente procura ter esse cuidado de levar para um consultório mais tranquilo, conversar com os pais, adaptar o ambiente e, quando necessário, priorizar o atendimento com a médica. É tudo na base da percepção e do cuidado.
Nessa trajetória, teve um caso que me marcou muito, de uma criança que precisava fazer um eletrocardiograma e não conseguiu em outros lugares, inclusive em sua cidade natal. A mãe veio até nós e, com calma, conversa e acolhimento, conseguimos realizar o exame. Ela ficou muito emocionada e agradecida. Pode parecer algo simples, mas para aquela família foi muito importante. E isso também mexe com a gente.
Esse tipo de aprendizado não vem de curso. Vem do dia a dia, da vivência, de observar e se colocar no lugar do outro. Para mim, o mais importante é isso: ter empatia, saber ouvir e entender o que o paciente realmente precisa naquele momento”.
Meu nome é Lais Aparecida Gonçalves da Mata e atuo a cerca de 15 anos como profissional de enfermagem. Comecei como RPA na prefeitura, trabalhando por diária e passando por diferentes áreas, desde hospital psiquiátrico até maternidade. Hoje, também sou enfermeira, com pós-graduação em psiquiatria, Proctologia e cuidado ao idoso frágil.
Eu e a Jaqueline somos técnicas e enfermeiras, então a gente faz o que precisa ser feito. Muitas vezes, o que falta não é técnica, e sim, parar para ouvir. Quando você escuta de verdade, o paciente se desarma. Às vezes, só de organizar documentos ou dar uma orientação correta, você já resolve o problema deles.
Atendemos pacientes com diferentes necessidades, incluindo casos que exigem maior sensibilidade no acolhimento. Por isso, buscamos adaptar o ambiente, oferecer mais tranquilidade e respeitar o tempo de cada pessoa. É sempre pensar: “E se fosse alguém da minha família? Como seria?”
Eu tenho muitos casos marcantes, como o de uma paciente que passou por um longo tratamento e hoje está bem. Isso só aconteceu porque houve confiança. A gente cria vínculo com o paciente, sabe?
Também já vivi momentos muito emocionantes com pacientes e familiares. Porque, antes de tudo, a gente é humano. Também sentimos a mesma dor deles. Por isso, eu valorizo muito o cuidado entre a equipe. Eu gosto de tratar bem meus colegas, porque isso reflete no atendimento. Quando tem parceria e respeito, tudo flui melhor.
O que eu deixo de mensagem é simples: se coloque no lugar do paciente. Ouça com atenção, tenha empatia e faça seu trabalho com responsabilidade. Porque, no final, o retorno que a gente recebe não tem preço”.