O cheiro de café recém passado se misturava ao clima de acolhimento e emoção. Na última quinta-feira, quando a equipe do Centro Materno Infantil (CMI) promoveu um encontro entre mães doadoras e receptoras de leite humano. A roda de conversa, simples e afetiva, teve um objetivo de criar laços entre essas mulheres e fortalecer a rede de apoio que garante nutrição e esperança para os bebês prematuros atendidos na maternidade.
Entre os presentes estavam a diretora de Políticas Públicas de Urgência da Secretaria Municipal de Saúde, Débora Lucas Dias, e a enfermeira referência técnica da pasta, Verônica Lopes de Souza. Débora Dias destacou a relevância de dar visibilidade a essas mulheres que transformam sua produção em vida para outras famílias. “Esse projeto é algo muito importante, que a gente acredita que deveria ser multiplicado. Enquanto Secretaria de Saúde, entendemos, apoiamos e queremos participar da construção desse processo. Nosso interesse é estender essa iniciativa para todo o município, alcançando todas as unidades básicas de saúde (UBS) que atendem a população”, afirmou.
Uma das idealizadoras do encontro, a presidente da Comissão Permanente de Aleitamento Materno, Kátia Fonseca, lembra os dados do Ministério da Saúde que apontam que cerca de 12% dos bebês que nascem no Brasil são prematuros. Para ela, esse número reforça a urgência de fortalecer ações que incentivem a doação de leite humano. “Quando olhamos para esses dados, entendemos que estamos falando de milhares de crianças que precisam de um cuidado especial logo nos primeiros dias de vida. O leite materno é, muitas vezes, o único remédio capaz de garantir a sobrevivência desses bebês”, destacou.
A doação de leite materno exige generosidade e compromisso, e cada frasco doado representa não apenas alimento, mas também carinho e oportunidade de crescimento saudável para crianças que enfrentam os primeiros dias de vida em situação de fragilidade.
Alice Lima, que teve seu filho, dia nove deste mês, o leite é um alimento muito valioso para manter a vida do pequeno Miguel que nasceu com 25 semanas de gestação. “Eu só tenho a agradecer a mães que doam leite. Mais que doar um alimento estão doando vida” destaca.
As falas das mães também emocionaram. A doadora Cláudia Kelly Tolentino, relembrou sua trajetória e o significado pessoal da doação. “A minha primeira doação foi há 14 anos, quando soube do banco de leite pela UBS perto da minha casa. Desde então, sempre procurei doar, porque sei o quanto esse alimento é precioso. A cada ordenha, penso em quantos bebês estou ajudando indiretamente. Não deixaria de doar e sempre incentivo outras mães a fazerem o mesmo”, contou.
Com base na Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC), que segue os 10 passos para o sucesso do aleitamento materno estabelecidos pelo UNICEF, o Centro Materno Infantil mantém o compromisso de promover práticas humanizadas e incentivar gestos que unem ciência e solidariedade.